São Valentim

Mantendo a tradição de desconstruir o bacoco romantismo deste Dia dos Namorados, mais um ano em que se juntaram um grupo de descrentes no artificialismo da data, para juntos celebrarem as desventuras do Cupido à sua maneira.
Foi noite de partilha. De muitas histórias, mas também de vinhos e comidas. Para o sucesso da noite, foi essencial a espontaneidade da coisa.

O meu singelo contributo. Húmus. Temperei com pimenta Séchuan que lhe deu um leve travo a citrinos. Muito bom. Estiquei-me foi um pouco no alho e ia deitando tudo a perder. Mas ninguém se queixou. No final polvilhei com sementes de sésamo e servi com palitos de pão torrado. Apaixonou-se pelo Quinta de Gomariz Loureiro, que já tinha sido aberto para soltar as línguas.

A Ana sacou esta pérola da cartola e deixou toda a gente esmagada. Salada de papaia com camarão. Com molho de iogurte e pés de coentros picados. Pelo meio havia umas folhas de rucula que davam um toque delicioso ao conjunto. Muito aclamado. Catrapiscou o Cartuxa Branco e este não se rogou.
A Rita brindou-nos com uns folhados de farinheira com ananás. Muito bons. Massa no ponto e farinheira de excelente qualidade. De chorar por mais. Namorou com o Alicante Bouschet das Encostas de Estremoz.
Depois foi a vez da Ana trazer a sua já reconhecida (pelos convivas) livre versão de Bacalhau Espiritual. Com espinafres e com um molho delicioso, com um suave sabor a queijo, tudo numa deliciosa textura cremosa. Aqui não houve consenso nos vinhos, houve quem fosse pelo Cartuxa, houve quem fosse pelo Alicante. Eu por causa das coisas fui pelos dois, mas confesso que preferi o casamento com o Cartuxa.
Só doces quase que dava para uma refeição à Espai Sucre. O da Ana,  Morangos com Gelado de Baunilha e Açucar de Hortelã. Muito fresco e muito bom. Morangos fora de época mas muito bem secundados com o sabor da hortelã. Até teve honras de tique El Bulliano com o after-dinner de hortelã.

...O da Rita. Doce de Bolacha com Leite Creme e Morangos. Comfort food elevada ao máximo. Acabado de fazer, tudo muito fresco, muito bom. Nesta altura já um Madeira Henriques & Henriques Full Rich se tinha juntado à festa.
Sacripantas houve que deixaram os comes a quem percebe e resumiram-se aos líquidos. Se tivesse de eleger um, talvez fosse para o Cartuxa, até porque não o bebia há algum tempo e já não o tinha assim em tão boa conta. Às vezes na busca incessante de descobrirmos coisas novas acabamos por nos esquecer dos clássicos e depois temos estas surpresas. No Verão aconteceu-me com o Muralhas, agora com o Cartuxa. Notas de prova (de amador, atenção) na minha página do Adegga
Para o final em jeito de miminhos a Rita presenteou-nos com umas queijadinhas com corações. Para acabar com o Madeira.

E pronto assim foi o nosso caloricamente extrovertido São Valentim. Ou como de repente, quase de improviso, se faz um jantar memorável. Até começo a simpatizar com a data.

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