Manifesto (Lisboa)

Um destes dias andava pela zona de Santos em azáfama profissional quando dei pelo relógio marcar a hora de almoço. Tendo em conta a localização pensei no JA à Mesa, mas o destino levou-me à porta do Manifesto para estacionar o carro, e acabei por entrar.
Não sei se já tiveram a sensação de entrar num restaurante vazio, vazio não no sentido de ter poucas pessoas, mas sim de não ter absolutamente ninguém, é talvez das sensações mais confrangedoras que existem. Pior que tudo, enquanto almocei, não entrou ninguém.

Couvert (4€). Gema de Ovo Trufada e Manteiga de Ovelha. Muito curiosa a gema de ovo, faz lembrar uma esmada mas em vez do doce, um travo trufado. A textura era consistente o suficiente para ser barrada.
Ainda o couvert. Pão e Estaladiços. Entre os estaladiços, uns de tinta de choco, outros de beterraba, mas sem grande sabor. Pelo meio havia um Bolo do Caco que estava muito bom.
Chupa-chupa de queijo parmesão. Mais interessante a textura que o sabor.


Bebi a copo Castelo D´Alba Reserva Branco 2010 (6€).

Pastel de Massa Tenra (4,50€). Pareceu-me de frango, estava bom mas dentro da normalidade.

Bacalhau Dourado (7,50€). Bom dentro da normalidade. Muito conforto para o que se espera do Manifesto. Mesmo ao almoço esperava algo mais surpreendente.

Pastel de Nata (6€). O melhor da refeição. Desconstrução muito bem conseguida do nosso famoso pastel de nata. Delicioso. Muito bom.

Carta de almoço muito curta com 4 entradas, 5 principais, e 3 sobremesas. Acabou por ser uma decepção esta visita ao Manifesto, esperava encontrar apesar de ser um almoço, um pouco da criatividade e provocação que a cozinha do Chef Luís Baena é reconhecida, mas não tive essa possibilidade, pois a carta de almoço que encontrei não permite conhecer a filosofia e o conceito deste Manifesto (a avaliar pelas críticas muito positivas que foram saindo na imprensa especializada). Parece-me que urge uma reflexão sobre a estratégia para os almoços, pois este não me parece ser um caminho vencedor, pelo contrário.
À noite a música é outra pelo que me pude aperceber pela carta de jantares.

No restante, decoração muito engraçada e bem conseguida, onde predominam os motivos pop artianos, tudo sob o signo do preto que lhe confere sofisticação. Até aqui os almoços ficam a perder, toda esta decoração chama muito mais pelo glamour da noite. Pratos marcadores em vinil com o logo do restaurante, ideia muita engraçada e original, mas a necessitarem de reciclagem, tantos os riscos que apresentam. Nas colunas os Gothan Project (opção estafadíssima, entre tantas e tão boas) tentavam criar ambiente com o seu electrotango.
Serviço correcto e atento, vinho bem servido, com temperatura correcta, e a preços pornográficos. Sobre a carta de vinhos não falo, porque não tive acesso a ela, quando optei pelo vinho a copo, foram-me dadas meia dúzia de opções, das quais escolhi uma.
No final com uma água e um café paguei 32€. Um valor desajustado para a oferta, na minha opinião. Por este valor existem muitas e melhores opções para um almoço na capital.
Para que ninguém se melindre, só uma pequena declaração de intenções. Estes textos que trago ao blog sobre restaurantes não pretendem criticar nada nem ninguém, limito-me a descrever experiências que vivi, e paguei por elas, como qualquer cliente anónimo. Porque há uma grande diferença entre as experiências de um cliente anónimo, e as de um cliente reconhecido. Ambos não são tratados da mesma forma, logo as suas experiências não serão iguais. Limito-me a dizer se gostei ou não e porquê, e deste Manifesto (espero que haja outro, o dos jantares) não gostei.

Manifesto
Largo de Santos, 9C, Lisboa
21 396 3419
Fecha aos Domingos, e aos almoços de Sábados e Segundas.