Comer na Costa Vicentina e Sudoeste Alentejano.

Em Sines, o Estrela do Norte é lugar de peregrinação pela feijoada de búzios. Mas as ameijoas, frescas e carnudas, não lhe ficam atrás. Para terminar em beleza, pondo o fígado à prova, um (bom) pudim abade de priscos. A carta de vinhos é boa, os bons copos também convidam, mas de novo os preços a impedirem que bebamos vinho na restauração. Quando nos pedem 13€ por um Loios, aí percebemos que querem que bebamos cerveja. Preço médio, 17€.

Milfontes, apesar de ser tornado em ponto de turismo massivo, é lugar onde se come bem e uma das mais típicas povoações do Sudoeste Alentejano. 

Não tendo nenhuma foto para ilustrar o Restaurante O Dias, à entrada de Vila Nova de Milfontes, fica mais este belo postal da região. Não me lembro da ultima vez que numa ida a Milfontes tenha falhado uma visita ao Dias. É lugar modesto, de beira de estrada, mas a comida é muito honesta e os produtos do melhor que se encontram por ali. Um porto seguro por entre a oferta turística da povoação. Aos almoços, a sala enche-se por entre gente de trabalho da região e turistas ocasionais que sabem que é ali que se come bem e a preço justo. Ao jantar o ambiente é mais calmo e a oferta também diminui, pois a maioria das vezes os pratos do dia não chegam à noite. Ameijoas, peixes, para a grelha e outros (tem uma fritada mista de peixe, com açorda, de bradar aos céus), carnes de porco alentejano, boa batata frita (cada vez mais raro), etc... Um favorito. Preço médio 10€.

A Tasca do Celso já leva mais de dez anos a encantar comensais com a sua boa comida regional. Lembro-me dele quando ainda era um pequeno restaurante, naquela sala rústica, com lareira, onde nos apetecia ficar a partir nozes e amêndoas pela noite dentro, por entre conversas e gargalhadas. Hoje cresceu, modernizou-se, com ele os preços, apesar do esforço de manter uma decoração acolhedora, o encanto já não é o mesmo. Valha-nos a cozinha que mantém grande aprumo pela gastronomia da região. Saladinhas de ovas, ou de búzio, ou de polvo, ou..., ou..., os arrozes, as açordas, os filetes, a carne à la plancha (obrigatória), as carnes de porco alentejano, enfim, o difícil é escolher por entre tanta e tão boa oferta. Nos vinhos, a carta (forte) e o serviço acompanharam a modernização da casa, oferta vasta, mas infelizmente com preços para turista. De saudar o serviço que é bom, com preocupação pelas temperaturas e, a oferta de vinho a copo, que acompanha quase toda a carta, bastando dividir o preço da garrafa por quatro. Um clássico da região. Preço médio 25€.  


Ainda em Milfontes, há lugar novo recente a ter em conta. Um lugar improvável, pela oferta e pelo conceito pouco visto por aqueles lados. A decoração étnica do Ritual avisa-nos de imediato ao que vamos, uma volta ao mundo sem sair do lugar. Portugal, Espanha, Itália, Paquistão, Tailândia, só para apontar as propostas gastronómicas mais óbvias, todas de grande aprumo e elaboradas com muita qualidade. Aqui comi o melhor caril de camarão que tenho memória. Pena o abuso dos preços e as doses pequenas, o que vão desencorajar as repetições. Nos vinhos, há algumas propostas mas têm de ser bem escolhidas, pois também neste campo temos a carteira em perigo. De qualquer forma, uma oferta para turista, que a vila não tinha e que se saúda. Preço médio 25€.   



Quando nos pedem 12€ por meio quilo de percebes fresquíssimos, 8€ por uma garrafa de Muralhas e 0,55€ por um café, só para dar três exemplos, nós percebemos que estamos num lugar onde nos querem bem. E por isso, voltamos, muitas vezes. Aqui não há crises, nem IVAs a 23%, não há tempo, há gente à espera para sentar. Uma dica para os rookies, de Abril a Setembro, nunca chegar antes das 14:30, nem depois das 19:00. Restaurante A Azenha do Mar, preço médio 17,50€. 

Nos mercados locais ainda se encontra o melhor peixe do mundo...

...Assim como no Café Central, na pequena povoação do Brejão. Lugar simples, ganhou fama à conta do peixe de grande qualidade que serve, vindo directamente dos mares da região (muitas vezes pela mão dos próprios pescadores). A oferta centra-se nos peixes frescos para a grelha (assados com mestria), nos mariscos, nos arrozes, e nos pratos de carne de porco tradicionais do Alentejo. Um luxo como poucos. Preço médio 22,5€. 

Vale dos Homens, a natureza no seu estado mais puro.

O final do dia no Castelejo é dos momentos mais mágicos de uma ida à região. Pouca gente (na sua maioria surfistas), um areal dourado e uma envolvência de mar e rochas que nos deixam em estado de contemplação horas a fio. À vinda o Restaurante da Praia do Castelejo , insinua-se-nos do cimo da arriba, com a sua esplanada virada para o espectáculo do por-do-sol. Mais uma vez a ementa anda à volta do que melhor se cozinha por aqui, os peixes e os mariscos e todos os petiscos a eles associados. Destaque-se as cataplanas, que já estamos em terras Algarvias e aqui não são esquecidas. Preço médio 17,5€.

NOTA: Ando há anos para fazer este post, mas na minha ingenuidade pensei que conseguiria guardar este paraíso só para mim durante toda a vida. Aos poucos, numa desleal luta interna, fui-me convencendo que com tantas páginas dedicadas à região, com cada vez mais turistas (só ainda não se avistam as gruas), estes são locais que andam na boca do mundo. Não fazia por isso sentido continuar a recusar o pedido de muitas famílias (duas) para publicar esta lista de lugares. Espero que apreciem.  

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